Você já tem trinta e sete anos e continua solteira?

"Casada?", minha irmã perguntou.
Não me apressei em ajudá-la. O silêncio era tal que eu podia ouvir o calor escapando das saídas de ventilação e o tilintar dos cubos de gelo em um copo. De repente, toda a cena me pareceu excessivamente iluminada: o lustre sobre a mesa, as bandejas de alumínio, os chapeuzinhos dourados de papel à espera da meia-noite — tudo. Eles haviam passado anos me moldando à imagem que lhes trazia segurança. A filha única. Aquela em quem se podia confiar. A mulher com um bom emprego, um belo apartamento e ninguém para levar para casa.
Aquela história servia a todos, exceto a mim.
Minha mãe foi a primeira a falar. "O que você quer dizer com isso?", perguntou ela, com a voz baixa.