Um morador de rua me ajudou a trocar um pneu furado na Rodovia 9, onde meu filho desapareceu há 20 anos – o que ele deixou no banco do passageiro me fez cair de joelhos.

Uma batida na minha janela me fez estremecer.

Um homem mais velho estava do lado de fora, com um casaco gasto e botas rachadas, a barba grisalha balançando ao vento. Parecia alguém que a estrada havia levado e nunca libertado.

Abaixei um pouco o vidro.

"Você está bem?", perguntou ele.

"Não", respondi.

Ele olhou para a traseira do meu carro. "Você tem um estepe?"

"Sim."

"Abra o porta-malas."

Ele trocou o pneu sem perguntar mais nada. Rápido. Calmo. Seguro. Como se já tivesse feito aquilo inúmeras vezes.

Fiquei perto dele, abraçada a mim mesma, observando suas mãos trabalharem.

Quando terminou, enxugou as palmas das mãos num pano e olhou para mim com