Uma batida na minha janela me fez estremecer.
Um homem mais velho estava do lado de fora, com um casaco gasto e botas rachadas, a barba grisalha balançando ao vento. Parecia alguém que a estrada havia levado e nunca libertado.
Abaixei um pouco o vidro.
"Você está bem?", perguntou ele.
"Não", respondi.
Ele olhou para a traseira do meu carro. "Você tem um estepe?"
"Sim."
"Abra o porta-malas."
Ele trocou o pneu sem perguntar mais nada. Rápido. Calmo. Seguro. Como se já tivesse feito aquilo inúmeras vezes.
Fiquei perto dele, abraçada a mim mesma, observando suas mãos trabalharem.
Quando terminou, enxugou as palmas das mãos num pano e olhou para mim com