Um morador de rua me ajudou a trocar um pneu furado na Rodovia 9, onde meu filho desapareceu há 20 anos – o que ele deixou no banco do passageiro me fez cair de joelhos.

Voltei para o meu carro, tremendo.

Foi então que notei a Polaroid no banco do passageiro.

Um menino de camisa vermelha. Cabelo caindo sobre os olhos. Um dente da frente torto.

Daniel.

Uma foto que eu nunca tinha visto na vida.

Na borda branca havia um endereço e, abaixo, escrito trêmulo, meu nome.

Liguei para o antigo xerife. Aquele que havia cuidado do caso de Daniel. Ele havia se tornado prefeito enquanto eu ainda procurava meu filho.

No momento em que viu a Polaroid no meu celular, seu rosto perdeu toda a cor.

“Onde você conseguiu isso?”, perguntou ele.