Eu acreditava nele. Quando se é casado há tanto tempo, troca-se certas curiosidades pela paz. Para-se de investigar pequenos mistérios porque se confia no homem que tem a chave.
Mas, depois que Thomas se foi, não pude mais ignorar aquela porta trancada. Eu acreditei nele.
Depois do funeral, arrumei seus suéteres e dobrei suas melhores camisas de domingo.
Toda vez que eu caminhava em direção ao quarto, aquela porta trancada no final do corredor parecia ficar mais pesada.
A princípio, eu dizia a mim mesma que era desrespeitoso olhar. O que quer que ele guardasse ali pertencia a ele, e se eu quisesse enterrá-lo, deveria deixá-lo morto.
Mas eu não conseguia.