Meu marido, com quem fui casada por 39 anos, sempre mantinha o armário trancado. Depois que ele faleceu, paguei um chaveiro para abri-lo, e me arrependo de ter feito isso.

Eu acreditava nele. Quando se é casado há tanto tempo, troca-se certas curiosidades pela paz. Para-se de investigar pequenos mistérios porque se confia no homem que tem a chave.

Mas, depois que Thomas se foi, não pude mais ignorar aquela porta trancada. Eu acreditei nele.

Depois do funeral, arrumei seus suéteres e dobrei suas melhores camisas de domingo.

Toda vez que eu caminhava em direção ao quarto, aquela porta trancada no final do corredor parecia ficar mais pesada.

A princípio, eu dizia a mim mesma que era desrespeitoso olhar. O que quer que ele guardasse ali pertencia a ele, e se eu quisesse enterrá-lo, deveria deixá-lo morto.

Mas eu não conseguia.